Outro Conceito de Férias
"Algarve…que original."
Chegara no dia anterior e a perspectiva não lhe agradava. Foi com a tirada sarcástica que adivinhou o que seriam umas péssimas férias, quando, estas, prometeriam ser boas, fosse ele outro: bom e grande hotel, a praia a uma curta caminhada de distância, a água mais do que suportável, morna, muita e boa comida, gente com estilo e desnudada como o Verão exige... mas… de interesse? Apenas as raparigas, claro. Algumas engraçadas… muitas, que esta coisa de andar carente fazia com que tudo lhe parecesse melhor que aceitável. Pena que racionalize sempre as primeiras impressões e derive conclusões que o impedem de ser o mero observador, o que aprecia,avalia, comenta e que só depois tenta. E o andar meio cego, fazendo por se esquecer dos óculos de que precisa, também ajuda a concretização da postura supostamente indiferente. O que ele não vê, o coração (e o outro mais sensível e inferior - literalmente) não deseja.
Não lhe era possível competir em nada em que se lançasse; não lhe era possível manter a imagem que não era dele. Se fosse sincero na abordagem, não lhe era possível conquistar o que para os outros parece fácil e naturalmente conquistável. É impressionante como haviam por lá tantos piores no aspecto que ele e que se acompavanham de sujeitas deslocadas... ou tresloucadas ou apenas com um notório mau-gosto. Como em tudo, é uma questão de moral. A sua sensação de realismo leva-o a acreditar que nada lhe era possível – pura desmoralização e talvez pura falta de contacto com a realidade; haverá de certo aquilo de que precisa mas não sob as formas que imagina e deseja: alguém igualmente detestável/agradável (dependerá da perspectiva) que lhe preencha os requisitos e não ultrapasse os seus limites; haverá alguém suficiente algures.
Passados anos e o maior problema deste seu lado continua a ser o mesmo. Algo a resolver quanto antes. Nem que seja pelos piores caminhos. Curiosa a força que esta necessidade tem. Impõe-se por vezes à razão, toldando-lhe o discernimento, quase esgotando as justificações para a iludir, até que surge uma que numa noite parece ser o quanto baste. De manhã,... revela-se como uma fraca desculpa.
Algures no norte, noutras férias, encontra no ambiente e no desconhecimento das gentes o à-vontade que não consegue replicar em nenhum outro lado. Lá é beneficamente parvo e bem disposto. Talvez seja a diferença de não estar acompanhado com quem com ele vive todo o ano. Talvez não…
Aqui, aborrece-se de estar com pessoas mais velhas ou com mais novas, nunca da idade dele, nunca como ele. Muito como em Lisboa, se bem que em casa, há distracções. O mal de não cultivar relações com gente da sua idade, mas com eles também se acha demasiado diferente, incompatível e deslocado – não significando que se ache melhor, mas diferente apenas. Como tal, prefere estar num quarto de hotel, sozinho, a pensar nisto… do que estar a percorrer ruas, experimentando bares ou as actividades do hotel, acompanhado.
Não lhe bastou desperdiçar dinheiro pela Alemanha ou culpar a companhia, o parceiro de viagem, da inexistência de recordações inesquecíveis para a vida que de lá não trouxe. Tinha que por ele mesmo arruinar esta estadia também. Que fim prometeu a essas férias… não deixando de pensar que com outro alguém ou realmente sozinho, seria tudo bem diferente.
Chegara no dia anterior e a perspectiva não lhe agradava. Foi com a tirada sarcástica que adivinhou o que seriam umas péssimas férias, quando, estas, prometeriam ser boas, fosse ele outro: bom e grande hotel, a praia a uma curta caminhada de distância, a água mais do que suportável, morna, muita e boa comida, gente com estilo e desnudada como o Verão exige... mas… de interesse? Apenas as raparigas, claro. Algumas engraçadas… muitas, que esta coisa de andar carente fazia com que tudo lhe parecesse melhor que aceitável. Pena que racionalize sempre as primeiras impressões e derive conclusões que o impedem de ser o mero observador, o que aprecia,avalia, comenta e que só depois tenta. E o andar meio cego, fazendo por se esquecer dos óculos de que precisa, também ajuda a concretização da postura supostamente indiferente. O que ele não vê, o coração (e o outro mais sensível e inferior - literalmente) não deseja.
Não lhe era possível competir em nada em que se lançasse; não lhe era possível manter a imagem que não era dele. Se fosse sincero na abordagem, não lhe era possível conquistar o que para os outros parece fácil e naturalmente conquistável. É impressionante como haviam por lá tantos piores no aspecto que ele e que se acompavanham de sujeitas deslocadas... ou tresloucadas ou apenas com um notório mau-gosto. Como em tudo, é uma questão de moral. A sua sensação de realismo leva-o a acreditar que nada lhe era possível – pura desmoralização e talvez pura falta de contacto com a realidade; haverá de certo aquilo de que precisa mas não sob as formas que imagina e deseja: alguém igualmente detestável/agradável (dependerá da perspectiva) que lhe preencha os requisitos e não ultrapasse os seus limites; haverá alguém suficiente algures.
Passados anos e o maior problema deste seu lado continua a ser o mesmo. Algo a resolver quanto antes. Nem que seja pelos piores caminhos. Curiosa a força que esta necessidade tem. Impõe-se por vezes à razão, toldando-lhe o discernimento, quase esgotando as justificações para a iludir, até que surge uma que numa noite parece ser o quanto baste. De manhã,... revela-se como uma fraca desculpa.
Algures no norte, noutras férias, encontra no ambiente e no desconhecimento das gentes o à-vontade que não consegue replicar em nenhum outro lado. Lá é beneficamente parvo e bem disposto. Talvez seja a diferença de não estar acompanhado com quem com ele vive todo o ano. Talvez não…
Aqui, aborrece-se de estar com pessoas mais velhas ou com mais novas, nunca da idade dele, nunca como ele. Muito como em Lisboa, se bem que em casa, há distracções. O mal de não cultivar relações com gente da sua idade, mas com eles também se acha demasiado diferente, incompatível e deslocado – não significando que se ache melhor, mas diferente apenas. Como tal, prefere estar num quarto de hotel, sozinho, a pensar nisto… do que estar a percorrer ruas, experimentando bares ou as actividades do hotel, acompanhado.
Não lhe bastou desperdiçar dinheiro pela Alemanha ou culpar a companhia, o parceiro de viagem, da inexistência de recordações inesquecíveis para a vida que de lá não trouxe. Tinha que por ele mesmo arruinar esta estadia também. Que fim prometeu a essas férias… não deixando de pensar que com outro alguém ou realmente sozinho, seria tudo bem diferente.




